quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Imagine

Imagine que seu corpo pare totalmente. Seus músculos não funcionam mais nem
para respirar nem para enxergar. Aí, todos ao seu redor pensam que você
morreu, mas por dentro, você tenta desesperadamente dizer a eles que está
vivo, mas não consegue.
[ ]Quando se dá conta, percebe que pegaram seu corpo, puseram em um caixão e
seguem ao seu lado para o cemitério em seu fúnebre enterro.
Nesta caminhada rumo ao cemitério, você ouve a voz dos seus pais, amigos e
amigas, conhecidos, familiares, etc.
[ ]Você esquece um pouco o desespero e fica lembrando de que todas as vezes em
que se desesperou na vida, foi em vão e inútil, sendo que teve a opção de
não se desesperar. Então , começa a refletir sobre os que estão ao seu lado.
Ouve a voz de seu pai e começa a pensar no quanto você poderia tê-lo
entendido mais, ou no quanto poderia tê-lo dado maiores chances de
entendê-lo e saber do quanto o ama. Pensa em sua mãe e vê que inúmeras foram
as chances de ter-lhe dito que a amava, em bom e alto tom, mas as perdeu
simplesmente. Você percebe que a vida, hora tão próspera e viril,
aparentemente infinita, durou pouco. Tão pouco, que não deu para ter dito
vários "obrigados", e agora, não dá para voltar lá onde você disse "não"
querendo dizer "sim", ou "sim", querendo dizer "não". A vida passou e você
agora está num caixão. Alguns entre os que você desprezou sem motivo,
choram. Outros, considerados, por imaturidade, como "amigos", contam piadas e se
riem. Você pensa: "Como pude reconhecer tão pouco minhas vitórias, até mesmo
em derrotas?"; "Como pude deixar passar minha vida diante de mim e crescer
tão pouco interiormente, sendo que a vida ofereceu-me todo o tempo do mundo
para isso?"; "Fui menos feliz que poderia e fiz menos gente feliz que
poderia e agora não posso voltar atrás", "Eu tinha o corpo sadio, lindos
olhos, força e energia para atingir qualquer objetivo, era atleta com
"todas as letras", mas ainda assim, cego, não sabia enxergar o óbvio em
minha volta, e sentia-me infeliz e sem brilho, mesmo com tantos paralíticos,
doentes, esquecidos e solitários à minha volta e em toda parte".
[ ]Quando se dá conta, chega ao cemitério e então, ao som de muitos choros,
sente que seu caixão é posto em uma escura tumba. Sua esperança, já pequena,
se esvai e você se entrega sem nada poder fazer. Passam-se horas e você
continua ali, sem forças até para chorar. Aliás, chorar é tudo o que você
gostaria de poder fazer agora, pois quando podia, em vida, teve vergonha e
muitas vezes escondeu. Escondeu até o riso. Escondeu até o aplauso. Você percebe que quando não resta mais nada a fazer,
o impossível se iguala ao possível e aí, passa a ser tão possível quanto
qualquer normalidade. Então você repensa: "Quando estava vivo, dizia que
acreditava em Deus, mas na hora em que mais precisava dele, o esquecia e
sentia-me só. Hoje, vou fazer diferente, só o que me resta é crer nesta
força, nesta possibilidade. Não tenho nada a perder. Crer em Deus é crer no
impossível como possível. ".
[ ]Então, inexplicavelmente, você sente uma força surgindo em seu corpo e
consegue quebrar o caixão. Você sai dele e da tumba e vai ao encontro de
seus pais e amigos. Só que , desta vez, disposto a viver de verdade. Porque
agora, você passa a saber que todos morrem, mas muitos morrem sem ter
vivido.
[ ]Você é feliz? Basta enxergar. Porque felicidade, beleza e vitória
não estão em um lugar determinado e sim, onde você enxerga. É preciso aprender a enxergá-los apenas!
Hoje e agora, seja e esteja feliz, faça e arrisque. Não é preciso que fiquemos lá em nosso caixão pedindo para voltar aqui para fazermos melhor, pois é aqui e agora que você pode fazer algo e, definitivamente, viver!

Um comentário:

Denny disse...

Ah, adorei o texto!

^^


Bjs